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Análise Longitudinal da Performance em Nadadores de Ranking Mundial.

Autores: Mario Costa 1,2

Tiago Barbosa 1,2

Antonio J. Silva 2,3

1. Departamento de Desporto, Instituto Politécnico de Bragança 

2. CIDESD

3. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real

A  natação pura desportiva é uma modalidade cíclica onde o alcançar da máxima performance  é  o derradeiro objectivo. Mais ainda, o número de pesquisas de âmbito longitudinal em natação é bastante reduzido. A abordagem longitudinal da performance apresenta-se importante por: (i) permitir descrever e estimar a progressão e variabilidade da performance entre competições; (ii) encontrar pontos cronológicos determinantes na predição da performance ao longo da carreira e; (iii) determinar  a probabilidade de atingir finais ou medalhas em competições importantes. Foram analisados um total de 477 nadadores masculinos pertencentes ao top-150 FINA (época 2007-2008) e 2385 tempos oficiais. A performance foi analisada ao longo de 5 épocas consecutivas, entre os Jogos Olímpicos de Atenas 2004 (época 2003/2004) e Pequim 2008 (época 2007/2008) com recurso ao melhor tempo nas provas de Livres pertencentes ao calendário Olímpico (50-m, 100-m, 200-m, 400-m e 1500-m). A interpretação longitudinal da estabilidade e mudança na performance  foi efectuada com base em duas abordagens: (i) estabilidade das médias e; ii) estabilidade normativa. A performance  de nadadores de ranking mundial em todas as provas sofreu uma acentuada melhoria durante o período  os Jogos Olímpicos de Atenas 2004 e Pequim 2008. A estabilidade e predição da performance final baseadas  no rendimento ao longo de todo o ciclo Olímpico foram moderadas. Contudo, quanto mais restritos foram os intervalos de análise, a estabilidade e capacidade preditiva da performance aumentou a partir da terceira época do Olímpico. Este facto sugere a necessidade de os nadadores d e  ranking  mundial necessitarem de estar perto do seu pico de forma na terceira época do ciclo Olímpico. Como tal, treinadores deverão atentar para  o  desenho  e periodização do treino sempre baseado numa ideia a “longo prazo”, tomando a terceira época do ciclo Olímpico como um marco fundamental para a obtenção de elevadas performances. Neste ponto, a estabilidade e a capacidade de predição da performance em ano Olímpico aumenta de forma acentuada.

Referência

Costa MJ, Marinho D.A, Reis V.M, Silva A.J, Marques M.C, Bragada J.A, Barbosa T.M. (2010) Track ing  the performance of world-ranked swimmers. Journal of Sports Science and Medicine (submetido).

 
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Estabilidade na performance ao longo da carreira de nadadores de elite

Autores: Mario Costa 1,2

Tiago Barbosa 1,2

Antonio J. Silva 2,3

1. Departamento de Desporto, Instituto Politécnico de Bragança 

2. CIDESD

3. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real.

A estabilidade na performance é um factor determinante, que permite ajudar os treinadores a projectar o futuro sucesso dos seus atletas. Ao longo da carreira desportiva os factores que afectam a performance em idades mais jovens, não são os mesmos que na idade adulta. Assim pressupõe-se a existência de pontos cronológicos chave, a partir dos quais a melhoria na performance não se traduz de forma tão óbvia como em idades mais jovens. Foi objectivo deste estudo analisar a estabilidade na performance de nadadores de elite desde os escalões de formação ao escalão sénior. Foram analisados 242 nadadores do sexo masculinos pertencentes ao top-50 do ranking Nacional (época 2006-2007) e 1694 tempos oficiais. A performance foi analisada ao longo de 7 épocas consecutivas, entre os 12 e os 18 anos de idade cronológica com recurso ao melhor tempo nas provas de Crol (50-m, 100-m, 200-m, 400-m, 800-m e 1500-m). A interpretação longitudinal da estabilidade e mudança na performance foi efectuada com base em duas abordagens: (i) estabilidade das médias e; ii) estabilidade normativa. Em todas as provas a performance sofreu uma acentuada melhoria desde os 12 até aos 18 anos de idade. Foram verificados baixos valores de estabilidade intra-individual, sugerindo alternância constante nos diferentes canais de performance.

Possivelmente questões maturacionais promoveram alternância de canais de performance e melhorias de nível competitivo. Quanto mais restritos foram os intervalos de análise, a estabilidade da performance e a capacidade preditiva do nível competitivo em idade adulta aumentou a partir dos 16 anos de idade. Este facto sugere a necessidade de treinadores evitarem o sucesso prematuro, dada a impossibilidade de se prever o nível competitivo de nadadores em idades jovens como antes dos 15-16 anos. Convém atentar para a formação do nadador numa perspectiva a “longo prazo”, mantendo os de baixo nível envolvidos na modalidade e alertar os de elite da possibilidade de serem alcançados pelos restantes em idades mais avançadas. Assim os 16 anos de idade apresenta-se como um marco fundamental, onde a predição do nível competitivo de nadadores em idade adulta aumenta de forma acentuada.

Referência

Costa M.J, Marinho D.A, Bragada JA, Silva AJ and Barbosa T.M. (aceite) Stability of elite

freestyle performance from childhood to adulthood. Journal of Sports Sciences.

 
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A importância da posição dos dedos da mão na natação.

Autores: Daniel A. Marinho 1,2

Tiago Barbosa 2,4

António J. Silva 2,3

1. Universidade da Beira Interior, Covilhã.

2. CIDESD.

3. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real.

                                   4. Departamento de Desporto, Instituto Politécnico de Bragança.

A posição relativa dos dedos durante o trajecto subaquático da mão em Natação é um dos temas em que parece não existir um consenso no que se refere à posição mais vantajosa a adoptar. Pode ser observada uma grande variabilidade de posições durante o treino e a competição. Há nadadores que colocam os dedos totalmente unidos, outros que apresentam um ligeiro afastamento dos mesmos e outros ainda que apresentam um  afastamento  mais pronunciado. Neste sentido, foi avaliado o efeito do afastamento dos dedos na produção de força propulsiva em Natação, com recurso à técnica  de  dinâmica computacional de fluidos. Para a consecução deste objectivo, foi testado um modelo tridimensional da mão de um nadador Olímpico, obtido através de tomografia axial computorizada. Este procedimento permitiu obter três modelos da mão com diferente afastamento dos dedos: (i) dedos juntos, (ii) dedos com um pequeno afastamento (0,32 cm de distância entre os dados) e, (iii) dedos com um grande afastamento (0,64 cm). Os modelos obtidos foram testados com o programa computacional Fluent®, tendo sido analisado o coeficiente de arrasto propulsivo e o coeficiente de sustentação hidrodinâmico em diferentes orientações da mão. O modelo com um pequeno afastamento dos dedos apresenta valores mais elevados do coeficiente de arrasto propulsivo   comparação com os outros dois modelos (dedos juntos e dedos com um grande afastamento). Os valores do coeficiente de sustentação apresentam apenas pequenas diferenças entre os três modelos, nos vários ângulos de orientação testados. Neste sentido, os dados parecem sugerir que a colocação da mão com um ligeiro afastamento dos dedos pode permitir a criação de mais propulsão durante o trajecto subaquático da mão dos nadadores.

Referência

Marinho D.A, Barbosa TM, Reis VM, Kjendlie PL, Alves FB, Vilas-Boas JP, Machado L, Silva AJ, Rouboa AI. (2010). Swimming propulsion forces are enhanced by a small finger spread. Journal of Applied Biomechanics, 26(1): 87-92.

 
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A evolução da velocidade e da frequência gestual crítica após 12 semanas de treino em natação.

Autores: Mario Marques 1,2

                Daniel A. Marinho 1,2

1. Universidade da Beira Interior, Covilhã.

2. CIDESD

A velocidade crítica foi definida como a velocidade máxima que pode ser mantida durante um longo período de tempo, sem exaustão. Para além do conceito de velocidade crítica, que tem sido utilizado com alguma regularidade pelos treinadores de natação como forma de determinar a intensidade da capacidade aeróbia dos nadadores, foi sugerida a hipótese da existência de uma frequência gestual teórica que poderia ser mantida sem exaustão durante um longo período de tempo, definido como a frequência gestual crítica. Parece também ser indicado que a velocidade crítica e a frequência gestual crítica estão associados com a performance aeróbia. Todavia, estas duas variáveis nem sempre se encontram ligadas durante o treino. Neste aspecto, não é claro que a melhoria da capacidade aeróbia (i.e. velocidade crítica) esteja dependente de melhorias energéticas e/ou mecânicas (eficiência técnica).

Neste sentido, o objectivo do presente trabalho foi analisar a evolução da velocidade crítica e da frequência gestual crítica após doze semanas de treino em nadadores jovens. Catorze nadadores infantis do sexo masculino participaram neste estudo. As avaliações decorreram em dois diferentes momentos. O primeiro decorreu no início da época desportiva e o segundo após doze semanas de treino. Para cada sujeito, a velocidade crítica e a frequência gestual crítica foram determinadas nos dois momentos. Os principais resultados mostraram que a velocidade crítica aumentou, enquanto a frequência gestual crítica diminuiu entre as duas avaliações. Estes dados parecem sugerir que a habilidade técnica foi melhorada após as doze semanas de treino. Os nadadores foram capazes de nadar com a mesma intensidade fisiológica com uma velocidade superior e com menor frequência gestual. Esta informação pode permitir auxiliar os treinadores de natação a monitorizarem o processo de treino, não necessitando de instrumentos de avaliação com elevados custos.

Referência

Marinho, M.A. et al. (2010). Swimming performance changes in young swimmers: a case study. Journal of Sports Science and Medicine 8(Suppl 11), 138-139.

 
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Sete semanas de treino são suficientes para melhorar a performance no sprint em natação.

 

Autores: Rui Canelas 1,2.

   Daniel A. Marinho 1,2.

Mário Marques 1,2.

1. Universidade da Beira Interior, Covilhã.

2. CIDESD

O processo de preparação para a competição é uma importante preocupação de treinadores e atletas. Neste sentido, o objectivo do presente estudo foi avaliar a evolução na performance do sprint durante um macrociclo de treino em jovens nadadores de ambos os sexos. A amostra foi constituída por vinte e quatro jovens nadadores (12.0 ± 0.72  ano s , 41.43±6.88 kg, 1.51±0.09 m). As avaliações decorreram durante nove semanas de treino, durante o primeiro macrociclo. Durante este período todos os indivíduos efectuaram 54 unidades de treino (6 unidades de treino/semana). Semanalmente, registou-se a performance em duas repetições máximas de 25m crol, com 15 min de intervalo. Foi utilizada a melhor performance para analisar os efeitos do treino. Através da ANOVA de medidas repetidas foi comparada a performance entre a primeira e as semanas seguintes.

O nível de significância foi mantido em 5%.  Os resultados revelaram que a performance no sprint não se alterou durante as seis primeiras semanas de preparação (semana 1: 16.74±2.04 s, semana 2: 16.85±2.23 s, semana 3: 16.88±2.38 s, semana 4: 16.56±2.14 s, semana 5: 16.97±2.40 s, semana 6: 16.57±2.05 s; p> 0.05). Nas últimas três semanas ocorreram melhorias na performance nos 25 m crol quando comparada com a primeira semana (se mana 7: 16.41±2.28 s, semana 8: 16.41±1.21 s, semana 9: 16.18±2.09 s; p

Este estudo sugere que em nadadores jovens sete semanas de treino específico de natação permitem melhorias na performance no sprint, apesar de algumas diferenças existirem entre rapazes e raparigas. O protocolo usado no presente estudo pode ser utilizados pelos treinadores para programar a época desportiva e a evolução das cargas de treino.

Referência

Canelas, R., Marques, M.C., Silva, A.J., Barbosa, T.M., Sousa, D., Reis, V.M., Marinho, D.A. (2009). 7 weeks of swimming training are sufficient to enhance sprint performance. Journal of Sports Science and Medicine, 8(11), 188 Supplement.

 
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O nado “na cola” em Natação

 

Autores:  António J. Silva ajsilva@utad.pt

                    Daniel A. Marinho

No campo desportivo, todas as situações em que um atleta se desloca imediatamente atrás de um outro são denominadas de drafting. Esta situação pode ocorrer em vários desportos, nomeadamente, no ciclismo, no atletismo, no triatlo, na natação de águas abertas, … Apesar das situações de drafting não ocorrerem de uma forma tão pronunciada em natação pura desportiva, pelo facto dos nadadores se deslocarem cada um em pistas independentes, esta situação ocorre com muita frequência durante o treino dos nadadores. Efectivamente, por razões de limitação de espaço e de tempo, vários nadadores treinam simultaneamente na mesma pista, o que pode provocar situações de drafting.

Com este resumo, pretende-se chamar a atenção dos nadadores para o efeito que o nado em situação de drafting pode provocar no arrasto hidrodinâmico sofrido pelo nadador que se desloca atrás e, por conseguinte, o efeito que pode ter na intensidade do seu esforço.  Para concretizar este objectivo, foi simulado computacionalmente o nado de dois nadadores em situação de drafting, utilizando-se distâncias entre eles de 0.5m até 8m.

Numa situação em que um nadador se desloca com uma distância mínima de 0.5m do da frente, foi encontrado um valor médio no arrasto hidrodinâmico de aproximadamente metade, quando comparado com o arrasto sofrido pelo 1º nadador. Por outro lado, à medida que a distância entre os dois nadadores vai aumentado, a força de arrasto sofrida pelo 2º nadador tende a aproximar-se do valor encontrado para o nadador da frente. Quando os nadadores se encontram a 6m de distância, o arrasto sofrido pelo 2º nadador ainda é apenas 85% do sofrido pelo nadador que lidera, o que nos parece um dado significativo, pois esta é uma distância que à partida seria aceitável para separar os nadadores na mesma pista.

O passo seguinte do nosso trabalho foi verificar a que distância de nado é que os nadadores se encontravam nas mesmas condições de treino. Assim, através de procedimentos matemáticos e para uma velocidade de nado de 1.6 m/s (equivalente a realizar 1’02’’50 a cada 100m), foi encontrado o valor de aproximadamente 8m.

Desta forma, foi possível predizer que uma distância de fila de 6m provoca um arrasto hidrodinâmico no nadador detrás de ≈85% daquele sofrido pelo nadador da frente. Como sugestão para a organização de séries típicas de treino em natação pura, podemos referir que o nadador que segue atrás deverá iniciar o nado apenas quando o nadador da frente atingir os 10m de distância à parede de partida, em vez dos 5m de distância que usualmente são utilizados no treino de nadadores. Esta distância permitirá que ambos os nadadores se encontrem nas mesmas condições hidrodinâmicas. Todavia, no que se refere às competições de nado em águas abertas, os atletas podem tirar enormes vantagens do nado em drafting.

“…UMA DISTÂNCIA DE FILA DE 6M PROVOCA UM ARRASTO HIDRODINÂMICO NO NADADOR DETRÁS DE ≈85% DAQUELE SOFRIDO PELO NADADOR DA FRENTE.”

Referências

Silva, A.J., Rouboa, A., Moreira, A., Reis, V., Alves, F., Vilas-Boas, J.P., Marinho, D. (2008). Analysis  of drafting effects in swimming using computa-tional fluid dynamics. Jour-nal of Sports Science and Medicine, 7(1), 60-66.

 
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Electromiografia wireless no meio aquático

Autores:

Ana Conceição1 conceicao.ana@gmail.com; António Silva 2,4; Susana Palma 3; Hugo Gamboa 3; Hugo Silva 3; Victor Milheiro 1; Bruno Mendes 1; Hugo Louro1,4

A Natação Pura Desportiva (NPD) tem sido alvo de u m a p ermanente evolução, uma vez que existe uma base de investigação que tem apoiado não só a evolução dos métodos de treino, tal como todos os factores inerentes ao resultado desportivo.

A electromiografia de superfície (EMG) consiste na recolha do sinal eléctrico do músculo detectado à superfície da pele. Desta forma, permite identificar alterações do potencial eléctrico em função do impulso nervoso motor e, por isso, tem vindo a ser fortemente aplicada no domínio do desporto.

Com o aumento de problemas músculo-esqueléticos em NPD, como é a típica lesão do ombro do nadador, a EMG tem-se posicionado como um meio de diagnóstico e avaliação válido.

Estando alguns dos sistemas em desuso, uma vez que apresentam um conjunto
de constrangimentos mecânicos aos atletas e baixa qualidade dos sinais, o sistema portátil Wireless bioPLUX, desenvolvido pela empresa portuguesa PLUX- Engenharia de Biosensores, tem vindo a ser aplicado num conjunto de estudos piloto, que têm contribuído para a validação e aperfeiçoamento técnico do equipamento.

Com este sistema, o atleta pode realizar os seus gestos técnicos de forma natural transportando junto ao seu corpo um peso perfeitamente comportável de 86 gramas. O bioPLUX permite que seja feita uma análise em tempo real da activação muscular do atleta durante a realização dos gestos técnicos.

O estudo piloto levado a cabo na técnica de crol teve como objecto de análise dois grupos musculares (Bicípete Braquial e Tricipede Braquial). Pretendia-se verificar e caracterizar a sua activação muscular ao longo das várias fases que compõem o trajecto subaquático.

De momento, temos procurado estender a aplicação deste sistema a outro desporto individual, como é o ciclismo, realizando um conjunto de testes em atletas profissionais em laboratório e em pista, de forma a analisar o aparecimento da fadiga muscular em 5 patamares de esforço.

Estes estudos evidenciam os efeitos da evolução tecnológica, aplicados à área do desporto. Actualmente, verifica-se uma tendência para a aposta em novos desafios em investigação no desporto, tanto no meio aquático como fora dele,em modalidades individuais e colectivas.

1Escola Superior de Desporto de Rio Maior

2 Universidade de Trás-os- Montes e Alto Douro

3 Plux, Engenheria de Biosensores

4 CIDESD

 
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Ao correr ou nadar deve optar-se por aumentar a amplitude da passada/braçada para atingir velocidades mais elevadas?

Autores: Tiago Barbosa. barbosa@ipb.pt

                José Bragada. jbragada@ipb.pt

Tipicamente, as formas de locomoção autónoma do Homem no meio terrestre são a marcha e a corrida. Já no meio aquático a locomoção autónoma é efectuada com recurso a uma qualquer técnica de nado.
Estas habilidades locomotoras também são utilizadas em contexto competitivo, as quais tem o seu expoente máximo nas provas de corridas do Atletismo e de Natação Pura Desportiva. No domínio desportivo, o objectivo destas modalidades é percorrer a  distância da prova no menor intervalo de tempo possível. Ora, sendo, quer a Natação quer o Atletismo modalidades individuais, cíclicas e fechadas, a velocidade pode ser considerada como a conjugação da distância de ciclo com a frequência gestual. A  distância de ciclo (i.e., a amplitude) é a distância percorrida pelo atleta num ciclo gestual completo. A frequência gestual (i.e, a cadência) é o número de ciclos gestuais efectuados numa determinada unidade de tempo. O aumento de qualquer um destes parâmetros ou dos dois simultaneamente imprime um aumento da velocidade.
Todavia, a questão pertinente que se coloca é saber qual destes parâmetros deve ser escolhido para aumentar a velocidade. A decisão do treinador deverá ter em conta o tipo de prova para a qual está a treinar: provas de solicitação da velocidade máxima ou provas de velocidade  sub-máxima. Curiosamente, a tentativa de melhoria da amplitude de ciclo poderá ser solução para ambos os casos. Senão vejamos: para a mesma velocidade o aumento da frequência gestual induz aumentos acentuados do custo energético; enquanto o aumento da distância de ciclo parece provocar uma certa estabilização ou ligeira diminuição.

Adicionalmente, o problema da eficiência coloca-se ainda mais em provas de longa duração, onde as reservas energéticas armazenadas no organismo podem ser completamente deplecionadas. Em provas de menor duração (de alguns segundos até poucos minutos), por comparação, o gasto energético não é um factor tão limitador. Em suma, cada caso deve ser analisado com ponderação pois não há “receita” igual para todos os  atletas. A alteração dos factores determinantes da velocidade, nomeadamente a distância de ciclo, pode ser importante e é possível; deverá  ocorrer sempre de forma progressiva, dando tempo suficiente ao atleta para ajustamento da técnica e automatização dos movimentos. Além  disso, devemos ter consciência que para uma determinada velocidade cada atleta escolhe, intuitivamente, uma relação óptima entre a distância  de ciclo e a  frequência gestual, mediante as suas características antropométricas, biomecânicas e fisiológicas.

Referências

Barbosa TM, Keskinen KL, Fernandes, RJ, Vilas-Boas JP (2008). The influence of stroke mechanics into energy cost of elite swimmers.  European Journal of Applied Physiology 103: 139-149

Bragada JA, Barbosa TM (2007). Estudo da relação entre variáveis fisiológicas, biomecânicas e o rendimento de corredoresportugueses de 3000  metros. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto 7: 291-298
 
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A importância da posição do polegar em natação

Autores: Daniel A. Marinho1,2,  António J. Silva2,3

                                                                         ajsilva@utad.pt

O grande objectivo em natação é ser capaz de cumprir uma determinada distância de nado no menor tempo possível. Para tal, o nadador deverá aumentar a força propulsiva produzida pelos segmentos corporais e, ao mesmo tempo, ser capaz de minimizar a força de arrasto hidrodinâmico que se opõe ao seu deslocamento.

Vários estudos têm demonstrado que os membros superiores, nomeadamente a mão do nadador, desempenha um papel primordial na produção de força propulsiva. Contudo, a posição relativa do polegar durante o trajecto subaquático da mão tem sido uma questão controversa e que muitas discussões tem levantado na comunidade técnico científica da natação.

Quando observamos nadadores de elite, verificamos uma variedade de posições na colocação do polegar. Alguns nadadores mantêm o polegar em adução, outros mantêm o polegar em abdução total e outros, ainda, mantêm o polegar apenas parcialmente em abdução. Neste sentido, muitas questões ficam por responder quando nos referimos ao efeito do polegar na propulsão dos nadadores. Através de técnicas de simulação numérica computacional, foram testadas as características hidrodinâmicas de um modelo de uma mão de um nadador de elite, com o polegar em diferentes posições. Foi desenhado um volume computacional para simular o escoamento da água em torno do modelo de mão do nadador em três posições:

(i)      polegar em adução,

(ii)     polegar em abdução total ,

(iii)    polegar em abdução parcial.

Foram calculadas as forças produzidas pela mão (força de arrasto propulsivo e força de sustent ação hidrodinâmica) com diferentes orientações do modelo, tentando simular diferentes orientações da mão durante o trajecto motor subaquático.

Os principais resultados mostraram que a posição com o polegar em adução (polegar junto e no mesmo plano dos restantes dedos) permite aumentar a força de arrasto propulsivo. Por outro lado, a posição com o polegar em abdução total permite aumentar a força de sustentação hidrodinâmica quando a mão se encontra com ângulos de ataque de 0º e 45º.

Tendo em consideração os dados encontrados, é possível sugerir que, em posições da mão em que a força de sustentação hidrodinâmica representa um importante papel (por exemplo, nas acções laterais internas da mão), a abdução do polegar parece ser a melhor opção para aumentar a força produzida. Em contrapartida, com ângulos de ataque superiores (quando a força de arrasto é dominante), o polegar em adução parece ser preferível.

Referência

Marinho, D.A., Rouboa, A.I., Alves, F.B., Vilas-Boas, J.P., Machado, L.,Reis, V.M., & Silva, A.J.(2009). Hydrodynamic analysis of different thumb positions in swimming.Journal of Sports Science and Medicine, 8(1), 58-66.

1 Universidade da Beira Interior Covilha.

2. CIDESD.

3. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real.

 “…EM POSIÇÕES DA MÃO EM QUE A FORÇA DE SUSTENTAÇÃO HIDRODINÂMICA REPRESENTA UM IMPORTANTE PAPEL (POR EXEMPLO, NAS ACÇÕES LATERAIS INTERNAS DA MÃO), A ABDUÇÃO DO POLEGAR PARECE SER A MELHOR OPÇÃO PARA AUMENTAR A FORÇA PRODUZIDA.”

 
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O Velaqua e a Natação

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A utilização do Velaqua como ferramenta de captura de imagem e o seu contributo no aperfeiçoamento da técnica em natação

Por Pereira, J.N.C.

Artigo de Revisão

O Sistema Velaqua surgiu em 2001 como trabalho de conclusão de curso da engenharia da computação com a proposta de medição de velocidade de nadadores. Hoje o sistema possui um carro robô com uma câmera embutida que tem como objectivo correr paralelamente ao objeto alvo obtendo sua imagem. Esse programa, chamado System Performance Analyser, captura o vídeo obtido pelo Velaqua e integra com os dados de posição e tempo de forma sincronizada do próprio equipamento. Após a captura, calcula-se a posição real do nadador e gera um vídeo com gráfico e os dados embutidos de forma que possa ser analisado posteriormente.

Uma das técnicas utilizada no processo de aprendizado motor é a observação-imitação, porém quando falamos de natação esse modelo se torna menos aplicável devido a visualização subaquática.

Silva e Aranha (1997) referem-se a aprendizagem como um processo no qual a imagem visual desempenha um papel muito importante na aquisição de condutas motoras, uma vez que é mediante a imagem visual que o atleta capta grande parte das informações, permitindo referências posteriores ao seu esquema de acção.

De uma maneira bem sintetizada por Aranha (1992) de diversos estudos na área do ensino (Mckown & Roberts, 1954; Giraud, 1957; Planque, 1971; Lefranc et al., 1972; Porcher et al., 1975; Fergurson & Stephens, 1977; Zay, 1983;) e na área da actividade física (Mialaret, 1964; Dieuzeide, 19165; Queiroz de Araujo, 1968; Goodwin, 1972; Kraft, 1972; Beyer, 1972; Garnier, 1976; Rothstein & Arnold, 1976; Hoffman, 1977; Singer, 1978; Araujo, 1980; Borys, 1986; Hazen e tal., 1990; Hali e tal., 1990) chegou-se a conclusão que:

1)   As imagens facilitam a transmissão da informação retorno

2)   O vídeo ajuda na apreensão da matéria pelos alunos

3)   A imagem é um meio rigoroso e fiel de transmitir “feedback”

tornando-se mais esclarecedor.

4)   A imagem contribui para o aumento da qualidade da prestação motora.

A utilização do vídeo para transmitir aos alunos um feedback do seu movimento, acaba tendo um carácter motivacional e acelerador do processo de aprendizagem (Araújo, Q.(1968)). Segundo esse autor, as técnicas audiovisuais em educação física são importantes porque:

Facilitam o ensino, auxiliando o professor a transmitir ideias e imagens;

Permitem uma melhor compreensão da matéria por parte dos alunos;

Possibilitam um ganho na aprendizagem cerca de 35% a mais do que qualquer outro meio permite;

Melhoram em 55% a atenção do aluno;

Fazem do aluno um agente activo do trabalho e tornam mais fácil a aprendizagem.

Existem 3 funções importantes que o vídeo desempenha no caso especifico da natação competitiva segundo Silva e Aranha (1997):

I.          Função motivadora, a motivação é a base da actividade selectiva e da perseverança na prática e o alcance do resultado pretendido, evidenciado pela analise do empenhamento motor em situação de treino

II.           Função de reforço/avaliação diminuindo o score de erros de execução, essencialmente os relativos à posição do corpo; equilíbrio dinâmico e trajectória aérea dos braços na fase não propulsiva.

III.          Função cognitiva de conhecimento de resultados tomando consciência da sua própria interpretação técnica, permitindo reforçar a função de avaliação que faz da própria execução.

Dessa forma o Velaqua como ferramenta de captura de imagem auxilia em vários factores como exemplo na concientização do atleta dos seus erros, consegue perceber as correcções do técnico relativas a sua execução técnica, as correcções do técnico tem o efeito desejado e contribuem para melhora da performance dos atletas e na motivação dos mesmos.

Não é por acaso que se costuma dizer que “uma imagem vale mais que mil palavras”.

Referências Bibliográficas


Aranha, A.C. (1992). A Utilização do Vídeo como Auxiliar Pedagógico. Tese de Capacidade Cientifica. Utad. Não publicado.

Araújo, Q. (1968). Técnicas Audiovisuais nas Escolas de Edução Física, Rio de Janeiro, Ministério de Educação e Cultura, Divisão de Educação Física.

Silva & Aranha. (1997). O Efeito da Utilização do Vídeo na Consolidação da Prestação Técnica e Motivação de uma Equipa de Natação-Competição. Primeiro Seminário de Natação. Utad. Actas.

 
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